sábado, 9 de fevereiro de 2008

Carnaval

("piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii"
"we're losing it, doc"
"clear!"
tssssssiiiiiii
"piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii"
"oh my... Clear!"
"pi pi pi"
- Tentando ressussitar o pobre blógue)


Bem, depois da breve explicação, voltemos ao post.
Carnaval, época da carne, não é mesmo queridos 3 leitores? São Clemente perdeu meio ponto por conta de uma xoxota de fora que não estava de fora*, num ato de enorme hipocrisia (eu continuo não achando que trianglinhos de paetê cubram muita coisa).
Et mon carnaval?
Rio das Ostras, é claro. Mais uma vez, a cidade estava lotada de pessoas sem noção. Pessoas que cismam em me chamar de "princesa". Pessoas que cismam em beber cerveja Cintra e escutar funk berrando nas ruas.** Para evitar o contato com essas "pessoas", resolvi me fechar na minha casinha linda no meio do mato. Pássaros sobrevoam e, quando pousam, nos presenteiam com maravilhosos cantos. A grama é verdinha. As redes, sempre penduradas.
E, em meio a esse paraíso (meu cantinho feliz, se vocês preferirem), eis que um retiro evangélico se instala na chácara vizinha. O muro entre as duas casas é bem baixo, vindo de outrora, quando o se acreditava que vizinhos são legais e que a violência é coisa de cidade grande. Pois os quarenta coleguinhas do maldito retiro achou que era legal fazer um culto ad eterno. Eles cantavam (em microfones, é claro) e tocavam instrumentos (ligados em amplificadores) o dia inteiro. Eu, obviamente, entendo a necessidade de orar com caixas de som numa casa de 4 quartos. E também entendo que eles precisam começar às 7:00 da manhã.
No quarto dia, eu já estava enlouquecida. Dias de chuva, cólica boçal, não conseguia falar com a minha formiga e as mangas estavam virando armas em potencial (essa é outra estória). Eles me acordaram às 8:00, sendo que eu tinha ido dormir às 5:30, pois eu assisti o primeiro dia inteiro de desfile*** Levantei, rondei a casa, sem rumo. Quando eles pararam, voltei a dormir. Para a minha surpresa, eles voltaram a tocar seus malditos instrumentos! Levantei transtornada. Andei de um lado para o outro. Até que, num acesso de fúria, saí debaixo de chuva e ainda de pijama, e comecei a gritar enlouquecidamente por cima do muro. Pirei o cabeção. Não conseguia completar frases. Lembro, remotamente, que queria dizer: "Tenho essa casa há mais de 20 anos, gentis senhores, e nunca tive um problema como esse. Como os senhores podem ver, nós precisamos descansar, e não conseguimos!" Mas, em meio à crise, palavras soltas saíam: VINTE!! CASA!!! DORMIR!!! GAAAAAAHHHHH!! CARALHOOO!!!!"
Meu pai teve que intervir, e, com uma calma digna de um monge budista, ele resolveu o problema. E eu continuava berrando enlouquecida.
E vocês pensam que eles passaram a fazer silêncio? Ledo engano. Sim, melhoraram. Pararam com a palhaçada do culto às 7:00 e da bateria do dia inteiro. Mas os gritos de louvor ao Senhor continuavam e os ensaios ainda tomavam boa parte do seu tempo.
No final, eu já estava tendo que convencer mamãe que genocídio não é uma boa solução e papai já estava começando a ficar meio de saco cheio (e pra papai perder a paciência... misericórdia).
E é por isso que digo: Deus não é surdo e tem mais coisa pra fazer. No Seu lugar, eu teria ficado irritada no segundo dia e teria mandado, pelo menos, uma chuvinha de enxofre e uns gafanhotinhos...



*ah, "xoxota de fora" é muito mais engraçado que genitália desnuda
** afinal, nada é mais atraente do que aquele bando de marmanjo de camiseta regata, com os braços cruzados, cantando versos tão belos
*** sim, eu gosto. Desde que me entendo por gente. Se você ignorar os peitos e alguns "mals gostos", é um espetáculo muito interessante.